Último “Sale” de 2009 – 1 ano

Texto I SONETO DE FIDELIDADE

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive,
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer ao amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinícius de Moraes. Antologia poética. Rio de Janeiro, A noite, 1949.

O “Soneto de fidelidade” é um dos poemas mais popularizados de Vinicius de Moraes e, possivelmente, da poesia brasileira deste século no Brasil.
1. Apresente uma justificativa para o título, levando em conta forma e conteúdo.
Soneto (forma): composição poética de quatorze versos, divididos em dois quartetos e dois tercetos, origem no século XII.
Fidelidade (conteúdo): o eu lírico expressa com intensidade o sentimento amoroso.

2. A repetição do elemento de coesão presente no segundo verso reforça qual ideia do poema?
O “e” reforça a intensidade das emoções do eu lírico em relação à pessoa amada.

3. Qual é a imagem utilizada pelo autor para exprimir a finitude, ou a mortalidade do amor? Apresente uma explicação plausível para tal escolha.
A imagem da chama, pois ela é frágil, facilmente se apaga, assim como o amor.

4. O gênero lírico define-se como a expressão intensa das emoções do sujeito.
a) Transcreva, da segunda estrofe, os versos em que a enumeração dos sentimentos contraditórios exprime a intensidade e a plenitude das emoções do sujeito.
“hei de espalhar meu canto/ E rir meu riso e derramar meu pranto/ Ao seu pesar ou seu contentamento”

b) Retire dos quartetos as expressões (advérbios, adjetivos, pronomes) que exprimem a intensidade das emoções.
De tudo, antes, tal, sempre, tanto, maior, mais, em cada vão momento

5. O autor compara duas situações diferentes, baseado na inevitabilidade de suas consequências. Quais são essas situações?
O autor compara quem vive a quem ama. Quem vive angustia-se por causa da certeza da morte. Quem ama, por causa da certeza da solidão.

6. O poema termina com um paradoxo. Pesquise em que consiste tal figura de linguagem e transcreva-o (o paradoxo).
Paradoxo ou oximoro – figura de linguagem que opõe dois termos que se contradizem. Os dois últimos versos.

Texto II

Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele estado, com a família morrendo de fome, comendo raízes. Caíra no fim do pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara conta da casa deserta. Ele, a mulher e os filhos tinham-se habituado à camarinha escura, pareciam ratos.
- Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta. Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E pensando bem, ele não era um homem: era apenas um cabra… vivia em terra alheia, cuidava de animais alheios… encolhia-se na presença dos homens e julgava-se cabra.
Olhou em torno, com receio de que fora os meninos, alguém tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando:
- Você é um bicho, Fabiano.
Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho capaz de vencer as dificuldades.
Graciliano Ramos. Vidas secas. Rio de Janeiro, Record, 1992.

7. Em Vidas secas, Fabiano e sinhá Vitória têm seu destino marcado pela seca, que periodicamente os expulsa do lugar onde vivem. Fogem da seca, junto com o casal, seus dois filhos, chamados simplesmente de “menino mais velho” e “menino mais novo”, a cachorra Baleia e o papagaio. De acordo com o fragmento de Graciliano Ramos, responda:
a) Por que ser um bicho era motivo de orgulho?
No fragmento do texto em questão, a palavra bicho não indica necessariamente degradação, mas motivo de orgulho pela capacidade que têm os bichos de se adaptarem e resistirem à ambientes hostis. Fabiano sente-se socialmente situado.

b) Retire do texto um exemplo de hipérbole, uma comparação e uma metáfora.
“Chegara naquele estado, com a família morrendo de fome…”
“pareciam ratos”
“Você é um bicho” (respectivamente)

8. O adjetivo é a palavra que caracteriza os seres, indicando-lhes características (modos de ser, aspectos e aparências). Concorda em gênero e número com um substantivo explícito ou subentendido na frase.

a) No fragmento: “vivia em terra alheia”. O termo destacado pertence à qual classe gramatical? Justifique.
É um adjetivo, caracteriza o substantivo “terra”.
b) Retire do 3º parágrafo uma palavra que pertença à mesma classe gramatical indicada por você na questão anterior.
“imprudente”

9. Recorra ao soneto de Camões na página AMOR é FOGO QUE ARDE do seu livro de Português e responda:
a) Qual o objetivo do eu- lírico?
Seu objetivo é tentar definir o amor e sua importância.

b) Coloque na ordem direta os versos 12 e 13 e depois explique o último terceto.
Mas como em seu favor pode causar amizade nos corações humanos. Sugestão: É curioso que a amizade seja fruto do amor, pois o amor é um sentimento muito contraditório.

10. Comente a presença do Neoplatonismo na lírica amorosa camoniana, a partir do texto presente na página TRANSFORMA-SE O AMADOR NA COUSA AMADA

A lírica amorosa camoniana está ligada a uma concepção neoplatônica do amor. Isto quer dizer que, para Camões, o Amor (com letra maiúscula) é um ideal superior, único e perfeito, o Bem supremo pelo qual ansiamos. Mas, seres decaídos e imperfeitos, somos incapazes de atingir esse ideal. Resta-nos a contingência do amor físico (com minúscula), simples imitação do amor ideal. A constante tensão entre esses dois polos gera toda a angústia e insatisfação da alma humana. A mulher, objeto do desejo, também ela um ser imperfeito, é espiritualizada em suas poesias, tornando-se a imagem da Mulher ideal.

Leia o texto das páginas (MITO DA CAVERNA) de seu livro para responder às questões 11, 12,13 e 14.

11. O texto lido é informativo ou ficcional? Justifique sua resposta, baseando-se apenas no título.
Ficcional, pois se trata de um mito, uma lenda; relato, geralmente de tradição oral, em que as personagens podem representar forças da natureza, aspectos gerais da vida ou uma ideia.

12. Trata-se de um texto predominantemente narrativo, descritivo ou dissertativo? Por quê?
Narrativo, uma vez que conta-se uma história.

13. Nesse texto há elementos descritivos que são fundamentais para o entendimento do mito. Transcreva um exemplo do primeiro parágrafo.
De “Elas estão…” até “… borda do muro”.

14. Tendo em vista nossos estudos sobre Ideologia e a leitura do texto de Marilena Chauí na página , apresente um argumento sobre o porquê de as pessoas da caverna não acreditarem nas palavras do companheiro.
Porque é difícil questionar opiniões e ideias estabelecidas. Mais fácil é afastar quem pensa de modo diferente, o que pode levar o ser humano à alienação.

15. No conto “ PALESTRAXCORINTHIANS “ da página ,predominam verbos de aspecto durativo ou pontual? Justifique, com exemplos retirados do próprio texto e explique a escolha do autor.
Predominam verbos de aspecto pontual, como: correu, dribla, grita, entre outros tantos. A escolha confere rapidez, o que tem relação direta com um jogo de futebol, que é um esporte de agilidade, velocidade.

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Olá!

“Poucas coisas no mundo são mais poderosas que um impulso positivo – um sorriso. Um mundo de otimismo e esperança, um ‘você consegue’ quando as coisas estão difíceis.” ”Se você desistir, na primeira dificuldade, perderá a chance de realizar coisas maravilhosas. Pense nisso.”

Caminho das Nuvens – o filme

Bem vindos! Este é o meu mundo… ou…um pedacinho dele…

no trabalho

A BORBOLETA AMARELA – DE RUBEM BRAGA

Crônicas indicadas pelo autor para pessoas que estejam amargas consigo mesmas, vivendo um instante de solidão, tristes,desesperançadas, sofridas e entediadas. Diz o cronista:

“Vinde. Coragem, a terra está rolando; vosso mal terá cura”.

 

Recomendo!!

CURSO DE ESCUTATÓRIA

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.
Todo mundo quer aprender a falar… Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que… Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas.
Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro:
Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito.
É preciso também que haja silêncio dentro da alma.
Daí a dificuldade:
A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor…
Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.
Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração…
E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade.
No fundo, somos os mais bonitos…
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.
Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala.
Há um longo, longo silêncio.
Vejam a semelhança…
Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio…
Abrindo vazios de silêncio… Expulsando todas as idéias estranhas.
Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala.
Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.
Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos…
Pensamentos que ele julgava essenciais.
São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se eu falar logo a seguir… São duas as possibilidades.
Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza.
Na verdade, não ouvi o que você falou.
Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala.
Falo como se você não tivesse falado.
Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo.
É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.
E, assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.
E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.
Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência…
E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras… No lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia…
Que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.
“Escutatória”
Rubem Alves
Te peguei heim… pensou q o texto era meu??? Rs…rs…rs… lindo, não!

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