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Crase

 

Emprego do acento da crase

 

 

1-     Para que o usuário da língua portuguesa possa utilizar com correção o acento da crase na escrita, é necessário, inicialmente, entender que a crase marcada pelo acento é o resultado da combinação das vogais a + a.

 

Ex.: Fiquei curado graças a / a dedicação dos médicos.

Ex.: O rapaz conseguiu dizer não a / as drogas.

Ex.: Foi feita a referência a / aquele assunto.

Ex.: Encontrei uma casa igual a / a que você comprou.

Ex.: Foi extinta a chefia a / a qual você aspirava.

 

2-     Pelos exemplos do item anterior, é possível constatar que o primeiro a da seqüência é uma palavra de relação sintática, tradicionalmente chamada de preposição a. Esta palavra entra na relação de alguns verbos e nomes com os respectivos complementos.

 

Ex.: A referência à doença deixava o paciente transtornado. (o nome referência rege a preposição a)

Ex.: O problema do trânsito deveu-se à colisão de dois veículos. (o verbo dever-se rege a preposição a)

 

3-  Da mesma forma, pelos exemplos do item 1, percebe-se que o segundo a da seqüência da crase compõe palavras de diferentes valores gramaticais e semânticos. Assim, ocorre a crase na seqüência da preposição a com:

 

3.1-     os artigos definidos femininos a , as (que determinam substantivos femininos);

Ex.: Foi feita uma injustiça às  pessoas presentes. (o artigo as determina pessoas)

Ex.: a entrega do prêmio à atleta foi emocionante. (o artigo a determina atleta)

 

3.2-     o a inicial dos demonstrativos aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo;

Ex.: Levei-os àquelas paragens para relaxarem.

Ex.: Graças àquele diálogo, tudo resolveu-se.

 

3.3-     os demonstrativos femininos a, as (equivalentes a aquela, aquelas);

Ex.: Foi uma noite semelhante à que você viveu. (àquela que você viveu)

Ex.: A criança ganhou lembranças iguais às que  o colega ganhara. (àquele que o colega ganhara)

 

3.4-     o a inicial dos pronomes relativos femininos a qual, as quais.

Ex.: O aluno desconhecia a matéria à qual o professor se referira. (o professor se referira à matéria)

Ex.: São novas as propostas de lei às quais os políticos eram favoráveis. (os políticos eram favoráveis às propostas de lei)

 

4-     Assim, como fundamento da crase, pode-se  afirmar que:

 

4.1-  sem a proposição a, não ocorre a crase;

Ex.: Os torcedores desejavam a vitória. ( não preposição, só artigo: desejar rege complemento direto)

Ex.: Traga-me aqueles discos. (não há proposição, só o demonstrativo aquele: trazer rege complemento direto)

Ex.: A polícia descobriu as armas, as quais nem foram usadas pelos bandidos. (não há proposição só o relativo as quais em função de sujeito: as armas não foram usadas pelos bandidos)

                                            

4.2- sem os artigos definidos femininos a, as não ocorre a crase.

Ex.: O peão sempre andou a cavalo. (não há artigo, só preposição: o nome cavalo é masculino, não é determinado por artigo feminino)

Ex.: O marginal pôs-se a correr. (não há artigo, só preposição: o verbo correr não é determinado por artigo)

Ex.: O professor referia-se a este problema. (não há artigo, só proposição: o demonstrativo este substitui o artigo)

Ex.: O velho presenteou a todos nós. (não há artigo, só preposição: o indefinido todos  e o pessoal nós não são determinados por artigo)

 

5-     Entendido este fundamento – a crase como combinação das vogais a + a – é preciso conhecer algumas situações de linguagem em que ocorre a preposição a, mas a ocorrência do artigo definido feminino não é regular. Essas situações de linguagem são:

 

5.1- Os nomes próprios de lugar: alguns usados com artigo, portanto com crase, e outros sem artigo, portanto sem crase:

 

a) com artigo;

Ex.: Nas férias, os alunos retornarão à Bahia. (Vim ontem da Bahia. / da = de + a: o nome Bahia è usado com artigo)

Ex.: O Brasil enviará embaixadores à Itália. (Estive na Itália. / na = em + a: o nome Itália é usado com artigo)

 

b) sem artigo.

Ex.: A ida do presidente a Portugal foi adiada. (Passei por Portugal. / por = preposição: o nome Portugal não é usado com artigo)

Ex.: Nenhum turista irá a Cuba nas próximas férias. (virei de Cuba. / de = preposição: o nome Cuba não é usado com artigo)

 

NOTA: Os nomes próprios de lugar usados sem artigo passam a ser determinados por artigo se acompanhados de termo especificador, portanto com crase.

 

Ex.: Os brasileiros voltarão a Roma quando puderem. (Vim de Roma. / de = preposição: sem artigo.

Ex.: Os brasileiros voltarão à Roma dos papas quando puderem. (Vim da Roma dos papas. / da = de + a: com artigo, com crase.

 

5.2- A palavra casa, desacompanhada de termo especificador, não é determinada por artigo, portanto sem crase.

Ex.: De  regressa  a casa, o  filho  pródigo  foi recebido com festa. (Vim de casa. / de = preposição: sem artigo)

Ex.: O homem voltou a casa para apanhar os documentos. (Estive em casa. / em = preposição: sem artigo)

 

NOTA: Acompanhada de termo especificador, a palavra casa é determinada por artigo, portanto com crase.

 

Ex.: O rapaz retornou à casa do irmão cedo. (Vim da casa de meu irmão. / da = de + a: com artigo, com crase)

Ex.: O pesquisador foi à Casa de Rui Barbosa para fazer consultas a livros da biblioteca. (Passei pela Casa de Rui Barbosa. / pela = por + a: com artigo, com crase)

 

6-     Há situações de linguagem em que o emprego do acento da crase é facultativo:

 

6.1- Por ser facultativo usar o artigo definido feminino, nas seguintes situações:

 

6.1.1- Diante de pronome possessivo;

Ex.: O aluno dirigiu-se a / à sua conduta. (O aluno sentou-se em / na sua carteira. / em = preposição: sem artigo, sem crase; na = em + a: com artigo, com crase)

Ex.: O político fez referência a / à sua conduta. (Ele pensou em / na sua conduta. / em = preposição : sem artigo, sem crase; na = em + a: com artigo, com crase)

 

NOTA: Antes de pronome possessivo é facultativo usar artigo definida: este é o fato. Em decorrência deste fato é que a crase é facultativa. É importante chamar a atenção para este fato, porque há situações de linguagem nas quais não foi usado o artigo antes do possessivo, não podendo haver crase; assim como há outras situações em que o artigo foi usado, defendo ocorrer a crase.

 

a)      sem artigo: sem crase:

Ex.: O professor dirigiu-se a suas colegas. (O professor  gosta de suas colegas. / de = preposição: sem artigo, sem crase)

 

b)      com artigo, com crase:

Ex.: O professor dirigiu-se às suas colegas. (O professor gosta das suas colegas. / das = de + as: com artigo, com crase)

 

6.1.2- Diante de nomes próprios de pessoas.

Ex.: A professora deu o livro a / à Maria. (Gosto de / da Mariade = preposição: sem artigo, sem crase; da = de + a: com artigo, com crase)

Ex.: Sou grato a / à Joana por tudo que me fez. (Pensei em / na Joana. – em = preposição: sem artigo, sem crase; na = em + a: com artigo, com crase)

 

6.2- Por ser facultativo o emprego da preposição a após a preposição até.

Ex.: O aluno leu o artigo até a / até à última página. (Cheguei até a / até ao último ponto. / até a: sem artigo, sem crase; até ao: com artigo, com crase)

 

7-     Um ponto de divergência entre os teóricos sobre o acento da crase é o que se refere à crase nas locuções. A melhor regra, porque mais simples, é a  que determina o emprego do acento nas locuções cuja base seja nome feminino, no singular ou no plural, mesmo que não fique clara a ocorrência da crase.

Ex.: O consumidor só fazia compras à vista. ( vista = base feminina)

Ex.: O político era um homem às direitas. (direitas = base feminina)

Ex.: O namorado ficou à mercê dos caprichos da moça. ( mercê = base feminina)

Ex.: À proporção que entardecia, o medo aumentava. (proporção = base feminina)

Ex.: A toalha era bordada à mão. (mão = base feminina)

Ex.: A corrida terá início às 11 horas. (horas = base feminina)

Ex.: O freguês pediu um arroz à grega. (moda = base feminina subentendida)

 

 


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