CONTOS, CRÔNICAS E OUTROS TIPOS DE NARRATIVA – IDENTIFICAR COMO?

Published Junho 7, 2011 by rosangelabastos

CONTO, CRÔNICA E OUTRAS NARRATIVAS
1.CONTO – História completa e fechada como um ovo. É uma célula dramática, um só conflito, uma só ação. A narrativa passiva de ampliar-se não é conto. Poucas são as personagens em decorrência das unidades de ação, tempo e lugar. Ainda em conseqüência das unidades que governam a estrutura do conto, as personagens tendem a ser estáticas, porque as surpreende no instante climático de sua existência. O contista as imobiliza no tempo, no espaço e na personalidade (apenas uma faceta de seu caráter). A crônica é um gênero híbrido que oscila entre a literatura e o jornalismo, resultado da visão pessoal, particular, subjetiva do cronista ante um fato qualquer, colhido no noticiário do jornal ou no cotidiano. É uma produção curta, apressada (geralmente o cronista escreve para o jornal alguns dias da semana, ou tem uma coluna diária), redigida numa linguagem descompromissada, coloquial, muito próxima do leitor. Quase sempre explora a humor; mas às vezes diz coisas sérias por meio de uma aparente conversa – fiada. Noutras, despretensiosamente faz poesia da coisa mais banal e insignificante. A crônica é o relato de um flash, de um breve momento do cotidiano de uma ou mais personagens. O que diferencia a crônica do conto é o tempo, a apresentação da personagem e o desfecho. No conto, as ações transcorrem num tempo maior: dias, meses, até anos, o que não se dá na crônica, que procura captar um lance curioso, um momento interessante, triste ou alegre. No conto, a personagem é analisada e/ou caracterizada, há maior densidade dramática e freqüentemente um conflito, resolvido em desfecho. Na crônica, geralmente não há desfecho, esse fica para o leitor imaginar e, depois, tirar suas conclusões. Uma das finalidades da crônica é justamente apresentar o fato, nu, seco e rápido, mas não concluí-lo. A possível tese fica a meio caminho, sugerida, insinuada, para que o leitor reflita e chegue a ela por seus próprios meios.

2. Por Airo Zamoner no site (http://www.protexto.com.br/texto.php?cod_texto=7)

ARTIGOS CRÔNICA, CONTO, ROMANCE, NOVELA…
Todos nós, autores novos e não tão novos, vez por outra, sentimos imensas dúvidas para enquadrar em um desses gêneros e sub-gêneros, nossa criação literária. É bom não esquecer o interminável debate que remonta à República de Platão e que deságua hoje num certo consenso sobre a existência de dois gêneros, poesia e prosa, seguido de subdivisões, como poesia lírica, épica por um lado, e conto, novela e romance por outro. Os especialistas no assunto, e é bom esclarecer que não sou um deles, tentam explicar tudo isso. A gente lê, relê e acaba ficando com as mesmas interrogações. Nesse artigo posso perturbar o academicismo dos especialistas, mas pretendo dar minha visão como escritor, de forma objetiva, prática e principalmente didática, arriscando sofrer a crítica que me mostrará as imensas teses, tratados, ensaios sobre cada um desses gêneros. Provavelmente dirão: “Que pretensioso esse escritorzinho, hein?”. Assim mesmo, revolvi correr o risco e me antecipar à crítica. Meu endereço está disponível e prometo responder educadamente a todos.
Se consultarmos algum dicionário de termos literários, teremos algo assim:
* Crônica, vem do Grego, krónos, que significa “tempo” e do Latim, annum, ano, ou ânua, significando, “anais”. Poesia também do Grego, poíesis, que quer dizer, “ação de criar alguma coisa”.
* Conto, do Latim computum, ou seja, “cálculo, conta”, ou do Grego kóntos, “extremidade da lança”, ou commentum, “invenção, ficção”. Romance, do Latim romanice, que quer dizer, “em língua românica”.
*Poema, do Grego, poiema, significando “o que se faz”. Novela, do Latim, novellam, ou seja:, “nova É… por aí, não vamos poder ter grandes esclarecimentos… Vamos aglutinar alguns termos para simplificar a variedade em três: 1. Poesia, poema 2. Crônica 3. Conto, novela, romance, poesia, poema Poesia, poema Se consultarmos Octavio Paz, El Arco y la Lira, 1956 p.14, encontramos sobre Poema: a afirmação, “um organismo verbal que contém, suscita ou segrega poesia” Massaud Moises em seu fabuloso Dicionário de Termos Literários, afirma: “Assumida ortodoxalmente, a conexão entre poema e poesia implicaria um juízo de valor, ainda que de primeiro grau: todo poema encerraria poesia, e vice-versa.” E mais adiante: “…existem poemas sem poesia, e a poesia pode surgir no âmbito de um romance ou de um conto”. Acho mais esclarecedor o que Jean Cohen em sua Structure du language poétique, 1966, p.207, afirma: “…precisamente uma técnica linguística de produção dum tipo de consciência que o espetáculo do mundo não produz ordinariamente”. Claro que essas citações ajudam muito pouco. Vamos tentar mais praticidade e ser menos acadêmicos.
Em primeiro lugar devemos compreender que a questão formal não caracteriza a poesia. Fazer versos não é fazer poesia. Aristóteles já alertava que o uso do verso não torna ninguém um poeta. Em segundo lugar, poemas e poesias serão reconhecidos pelos seguintes fatores:
1. Um poema ou poesia é carente de lógica, pois seu conteúdo tem que ser intrinsecamente, as emoções do “eu”
2. Não existe relação passado, presente, futuro. Existe unicamente um presente eterno. Daí ser possível reconhecer um poema, poesia pelo turbilhão de metáforas. Metáforas intercaladas num círculo vicioso, onde a palavra do final volta para a palavra inicial.
3. Não existe narração num poema ou poesia. Numa poesia não há fatos, e sim estados. Não há enredo. Deve conter as situações que povoam o “eu” do poeta, um ser solitário e conflituoso. Resumindo: vamos reconhecer uma poesia, ou um poema, não pela presença de versificação mas sim se:
1. Não obedecer à lógica formal
2. Contiver as emoções do “eu” do autor
3. Não for cronológico
4. Não contiver narrativa Crônica
A crônica se destina a publicação em jornal ou revista. Por isso mesmo, já se pode deduzir que deve estar relacionada com acontecimentos diários. Se diferencia evidentemente da notícia, pois não é feita por um jornalista e sim por um escritor, mas se aproxima de sua forma. É o acontecimento diário sob a visão criativa do escritor. Seus personagens podem ser reais ou imaginários. Não é mera transcrição da realidade, mas sim uma visão recriada dessa realidade por parte da capacidade lírica e ficcional do autor. Normalmente, por se basear em fatos do cotidiano, ela tende a se desatualizar com o passar do tempo. Nem por isso deixa de perder seu sabor literário quando agrupamos um conjunto delas em um livro. O cronista é essencialmente um observador, um espectador que narra literariamente a visão da sociedade em que vive, através dos fatos do dia-a-dia.
Conto, novela, romance
Acho que a primeira coisa que devemos tirar da cabeça é aquela história de que a diferença entre esses três gêneros é a quantidade, ou seja, o conto é curto, a novela, mais ou menos, e o romance é longo. Nada disso é verdadeiro. Existem novelas maiores que romances e contos maiores que novelas. Onde está a diferença? Gosto muito do conceito de unidade dramática, ensinado pelo eminente doutor em literatura, Professor Vicente Ataíde, que denominamos de “Célula Dramática” e que passo a utilizar para uma boa compreensão do assunto. O Conto contém apenas um único drama, um só conflito. Esse drama único pode ser chamado de “célula dramática”. Uma célula dramática contém uma só ação, uma só história. Um conto é um relâmpago na vida dos personagens. Não importa muito seu passado, nem seu futuro, pois isso é irrelevante para o contexto do drama, objeto do conto. O espaço da ação é restrito. A ação não muda de lugar e quando eventualmente muda, perde dramaticidade. O objetivo do conto é proporcionar uma impressão única no leitor. Podemos, pois, resumir em quatro os ingredientes que caracterizam o conto: Uma ação Um lugar Um tempo Um tom. Em outras palavras, um conto contém uma única Célula Dramática. Cabe aqui ressaltar alguns tipos específicos de contos como a fábula, o apólogo e a parábola. Fábula – Protagonizada geralmente por animais, pretende encerrar em sua estrutura dramática alguma “moral” implícita ou explícita. Apólogo – Protagonizado geralmente por objetos que falam, também como a fábula, pretende conter uma “moral”, implícita ou explícita. Parábola – Narrativa curta, pretendendo conter alguma lição ética, moral, implícita ou explícita, diferenciando-se da fábula e do apólogo, por ser protagonizada por pessoas. Voltando, contudo, ao Conto em geral, e entendido esse conceito de Célula Dramática, podemos mais facilmente compreender o que é uma novela. Uma novela nada mais é que uma sucessão de Células Dramáticas, como se fossem arrumadas em uma linha reta infinita. Face a essa estrutura é sempre possível, acrescentar mais uma Célula Dramática, mesmo depois de terminada a novela. Com esse conceito de “arrumação”, podemos compreender a diferença entre uma novela e um romance. Essa diferença está na forma como as células estão dispostas. Num romance, elas estão concatenadas, formando um círculo. Uma estrutura fechada. Uma sucessão lógica com um encerramento definitivo. Seria impossível acrescentar mais uma Célula Dramática, depois de terminado um romance. Consolidando as idéias: Um Conto é uma narrativa ficcional contendo uma única Célula Dramática. Uma Novela é uma narrativa ficcional contendo uma sucessão linear de Células Dramáticas. Um Romance é uma narrativa ficcional contendo uma sucessão circular fechada de Células Dramáticas.

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