ARCADISMO

ARCADISMO – INTRODUÇÃO

O ano de 1768 registra dois acontecimentos literários importantes no Brasil: a fundação da Arcádia Ultramarina, em Vila Rica, e a publicação do livro de poemas Obras, de Cláudio Manuel da Costa, considerados o marco inicial do Arcadismo no Brasil. Por ser o estilo de época característico dos anos de 1700 (século XVII!), o Arcadismo também é denominado Setecentismo.
O Arcadismo desenvolve-se até 1808, com a chegada da família real ao Rio de Janeiro, a qual, com suas medidas político-administrativas, cria condições propícias para a introdução do pensamento romântico no Brasil.
No início do século XVIII, na Europa, dá-se a decadência do pensamento barroco, para o qual elaboram vários fatores: o exagero da expressão barroca havia cansado o público; a burguesia, fortalecida por uma intensa e lucrativa atividade comercial, lança as bases da Revolução Industrial e luta pelo poder político; no combate ao poder monárquico, os burgueses cultuam o “bom selvagem”, em oposição ao homem corrompido pelas ultrapassadas estruturas da sociedade monárquica; os religiosos, com suas polêmicas, levam os problemas teológicos ao descrédito; surgem as arcádias, que buscam a pureza e a simplicidade das formas c1ássicas.
O Arcadismo tem um espírito nitidamente reformista, pretendendo reformular o ensino, os hábitos, as atitudes sociais, uma vez que constitui a manifestação artística de um novo tempo e de uma nova ideologia. Em Portugal, essas mudanças se fazem sentir desde início do século com uma tentativa de modernização do ensino segundo os ideais iluministas; em 1759, o ministro de Estado marques de Pombal expulsa os padres jesuítas dos domínios portugueses. Tal fato, com forte repercussão nas colônias, acelera a marginalização do c1ero na vida lusitana.
No Brasil, o século XVIII assinala uma importante mudança na vida brasileira: com a decadência da economia canavieira, o centro econômico transfere-se do Nordeste para as novas regiões de mineração; na esteira da economia vem a vida política, social e cultural. Minas Gerais, em particular a cidade de Vila Rica (atual Ouro Preto), e a sede dos acontecimentos mais significativos dos anos dos Setecenntos: a mineração, a Inconfidência, os poetas do Arcadismo, o gênio de Aleijadinho. E importante salientar que a atividade mineradora coloca em evidente antagonismo, pela primeira vez, segmentos da c1asse dominante na Colônia e na Metrópole; em consequência, o pensamento iluminista francês encontra ampla repercussão no crescente sentimento de nativismo e na nova mentalidade dominante, provinda da mineração; a cultura jesuíta começa a dar lugar ao Neoclassicismo (uma retomada dos valores c1assicos da Antiguidade greco-romana e do Renascimento).

CARACTERÍSTICAS

O Arcadismo tinha par lema a frase latina Inutilia truncat (“Acabe-se com as inutilidades”), que denuncia a preocupação de truncar os exageros, o rebuscamento, a extravagância, cometidos pelo Barroco. Procurava-se, assim, atingir a ideal de simplicidade, a decantado equilíbrio c1ássico, a tão almejada medida certa.
Inspirados na frase de Horácio Fugere urbem (“Fugir da cidade”) e levados pela teoria de Rousseau acerca do “bom selvagem”, os árcades voltam-se para a natureza em busca de uma vida simples, bucólica, pastoril:

“Se sou pobre pastor, se não governo
Reinos, nações, províncias, mundo e gentes;
Se em frio, calma, e chuvas inclementes
Passo o verão, outono, estio, inverno;

Nem por isso trocar o abrigo terno
Desta choça, em que vivo, co’as enchentes
Dessa grande fortuna: assaz presentes
Tenho as paixões desse tormento eterno”

escreve Cláudio Manuel da Costa.

É a procura do locus amoenus, o refúgio ameno, calma, em oposição aos corrompidos centros urbanos monárquicos; a luta do burguês culto contra a aristocracia se manifesta na busca da natureza. Cumpre salientar que esse objetivo configurava apenas um estado de espírito, uma posição política e ideológica, uma vez que todos os árcades viviam nos centros urbanos e, burgueses que eram, lá tinham seus interesses econômicos. Isso justifica falar-se em fingimento poético no Arcadismo, fato que transparece no usa de pseudônimos pastoris, ou seja, as poetas árcades assumem um comportamento bucólico e adotam falsos nomes de pastores:

“Enquanto pasta alegre o manso gado,
Minha bela Marilia, nos sentemos
A sombra deste cedro levantado,
Um pouco meditemos
Na regular beleza,
Que em tudo quanta vive, nos descobre
A sábia natureza.”

recomenda o pastor Dirceu (Tomas Antonio Gonzaga) a sua musa Marília.

Assim, o Dr. Tomas Antonio Gonzaga adota o nome pastoril de Dirceu. O Dr. Cláudio Manuel da Costa é o guardador de rebanhos Glauceste Satúrnio.

Quanta ao aspecto formal, temos: O soneto; o predomínio dos versos decassílabos; a rima optativa e a tradição clássica da poesia épica representada par Cláudio Manuel da Costa e seu Vila Rica, por Santa Rita Durão e seu Caramuru, par Basílio da Gama e seu Uruguai.

PRINCIPAIS AUTORES E OBRAS:

Alvarenga Peixoto (1744-1792) – Enéias no Lácio e obra poética esparsa.
Basílio da Gama (1741-1795) – O Uruguai.
Cláudio Manuel da Costa (1729-1789) – Obras poéticas; Vila Rica; Fábula do Ribeirão do Carmo.
Santa Rita Durão (1722-1784) – Caramuru.
Silva Alvarenga (1749-1814) – Obras poéticas; Glaura; O desertor.
Sousa Cladas (1762-1814) – Obra esparsa (poemas, traduções e cartas).
Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) – Marília de Dirceu; Cartas chilenas; “Tratado de direito natural”.

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