CARTA ARGUMENTATIVA NOTA 10 – MODELO

Modelo de carta argumentativa nota 10

Nos últimos tempos temos visto um movimento dos órgãos responsáveis por formular os vestibulares que mostra uma tendência de abandonar o texto dissertativo e solicitar variados gêneros textuais em seus exames. Isso é natural visto que atualmente se espera que o aluno saiba reconhecer os mais variados tipos de textos, identificar o que é relevante neles e usar as informações ali presentes para formular uma opinião crítica. É importante, portanto, saber que em um vestibular, além da dissertação também pode haver a solicitação de uma carta argumentativa, um texto argumentativo em que se defende um ponto de vista, sustentado por argumentos visando convencer o destinatário.

Vejamos um exemplo logo abaixo:

Campinas, 28 de fevereiro de 2000.

Exmo. Sr. Deputado,

Nas últimas semanas, tenho acompanhado atentamente o debate que tem se desenrolado no país em relação à criação da Agência Nacional da Água (ANA) e, ciente de sua posição contrária ao surgimento de tal órgão, lanço mão de minha condição de cidadão e dirijo-me ao senhor não somente com a intenção de persuadi-lo do contrário, como também de convencê-lo a participar ativamente na criação do mesmo.

Provavelmente sua resistência à criação de um órgão dessa natureza venha da crença, profundamente arraigada no subconsciente de todo brasileiro, de que ao nosso país nada falta ou faltará. Todavia, constatações feitas nas últimas décadas têm derrubado sistematicamente todas as nossas convicções de que a Natureza neste lado da América é inesgotável: mesmo a Amazônia, infinito e majestoso verde pairante sobre nosso território, mostrou ser extremamente frágil às nossas investidas, além de contar com um solo contraditoriamente infértil. Com relação à questão dos recursos hídricos a situação não é diferente: nos últimos anos, temos presenciado, atônitos, o surgimento de um fenômeno que jamais acreditaríamos ser possível no Brasil: a desertificação, ocorrendo não só no Nordeste, como também em áreas que há muito tempo abrigavam exuberantes florestas tropicais.

Entretanto, o maior risco imediato para nosso meio ambiente, sr. Deputado, não é sequer o aterrorizante avanço da desertificação. Como o senhor deve saber muito bem, nesta década, um fato notável no cenário industrial do país é o crescimento acelerado da presença de indústrias no chamado “interior” – conjunto de cidades de médio porte não conturbadas como grandes metrópoles: grandes centros urbanos não atraem pólos industriais como antigamente, fazendo com que estes se dispersem por diversas cidades. Isso implica um aumento vertiginoso de focos de poluição, que inclui também fortes agressões às fontes de recursos hídricos – tais como rios e mananciais -, complicando o trabalho já ineficiente de fiscalização executado pelo Estado. Tal dispersão industrial acarretará, ainda, a necessidade de criação, por parte das cidades atingidas por essa industrialização, de novas zonas de ocupação urbana para suprir as necessidades de moradia da força de trabalho que irá chegar com as indústrias. Não sei se o senhor tem ciência do seguinte fato, mas eu certamente não deixarei de mencioná-lo: frequentemente as Prefeituras de diversas cidades têm permitido ou ignorado a ocupação de áreas de mananciais, o que significa ainda mais um risco para nossa reserva de recursos hídricos.

Nesse cenário, a criação da ANA é indispensável, posto que a atuação dos atuais órgãos responsáveis pelo gerenciamento da água no país mostra-se ineficiente e lenta ante tantas mudanças. A capacidade que a ANA teria para resolver tais situações, senhor Deputado, é inegável.

Esperando tê-lo convencido da importância da ANA, tomo a liberdade, ainda, de oferecer algumas sugestões que o senhor poderia, oportunamente, adotar como parte do programa a ser executado pela agência, caso o senhor venha a participar ativamente de sua criação.

Inicialmente, senhor Deputado, seria necessária a regulamentação da Lei do Uso das Águas (9.433), incluindo taxas a serem cobradas de usuários tais como indústrias, hidrelétricas e outros – afinal, a cobrança de tais taxas seria um recurso valioso para estimular o uso criterioso e otimizado da água por parte das indústrias – principalmente químicas e petroquímicas – no que diz respeito ao controle da poluição de rios e mananciais.

Além disso, acredito que seria indispensável a inclusão de uma política de pressão sobre Prefeituras de todo o território nacional, no sentido de obrigá-las a impedir a ocupação urbana de áreas de mananciais.

Certo de sua atenção e da criteriosa análise de minhas sugestões, despeço-me cordialmente.

A.M.R.

O texto lido é uma carta dirigida a um deputado e tem a finalidade de convencê-lo a participar da criação da Agência Nacional da Água (ANA).

Como se pode ver, o formato da carta argumentativa é semelhante ao da carta pessoal, apresentando: data, vocativo, corpo do texto, expressão cordial de despedida e assinatura.

O corpo da carta tem, por sua vez, uma estrutura semelhante à da maioria dos textos argumentativos, sendo constituída por um ponto de vista seguido pelo desenvolvimento de argumentos e conclusão.

É comum fazer um primeiro parágrafo em que se deixam claros os motivos, as razões pelas quais se escreve. Logo após, há os parágrafos em que se constrói a argumentação e em que também se mantém uma interlocução, uma conversa, com o destinatário. Nesta parte, é importante recorrer aos vocativos para marcar essa interlocução. No final da carta, há um parágrafo de despedida.

A linguagem da carta argumentativa varia de acordo com o interlocutor. Pode apresentar menos ou mais marcas de pessoalidade. Quanto menos elas são empregadas, mais impessoal, formal e distanciado se torna o texto e o tratamento que o locutor dá a seu interlocutor. Pode haver predomínio da 1ª ou da 3ª pessoa, embora seja comum a mistura. Por mais que discordemos do interlocutor, nossa linguagem deve ser sempre respeitosa. Não se pode confundir firmeza de convicção com grosseria.

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