Conto Futurista

Um Conto Futurista

          Numa rua movimentada, um motorista estava perdendo a cabeça com o veículo imediatamente a sua frente, a fila de automóveis andava, mas a moça tinha dificuldades em arrancar, quando havia um espaço de três carros a sua frente, aí ela conseguia arrancar, mas os carros da outra fila tomavam a sua frente, e isto deixava Saulo, maluco. Doido para chegar em casa e com mais de uma hora perdida no trânsito, não entendia como o governo não tomava providências para o escoamento das vias, neste momento tinha pensamentos homicidas, coisas como, pegar uma metralhadora de terrorista e furar todo mundo de bala. Mas naquele dia específico, teria uma experiência inesquecível. Como que por encanto, tudo parou, as buzinas, os carros, os insetos no ar, pessoas com a boca aberta para comer um sanduíche, mas com o movimento interrompido antes da ação. Abriu a porta do carro e não entendeu nada, havia um guarda na calçada, correu para conversar com ele, mas o guarda estava imóvel, com a mão erguida e o apito na boca que não produzia nenhum ruído, tentou em vão acordá-lo:
– Sei que está um pouco confuso, senhor Saulo, mas isto era necessário para chamar sua atenção.
Saulo tentava procurar de onde vinha aquela voz, mas apenas via pessoas estáticas, respondeu olhando para o nada:
– Onde está você?
Diante de Saulo, uma luz em forma de espiral, se materializa num homem:
– Estou aqui, senhor Saulo.
– Pode me explicar o que está havendo? Aliás, de onde você veio? O que é tudo isto?
– Uma coisa de cada vez, senhor Saulo, isto que está presenciando, é o congelamento do tempo, um brinquedinho criado no século 28, é baseado na teoria da relatividade, mas não creio que esteja interessado em minúcias, eu vim pedir a sua ajuda.
– A minha ajuda!!! Você consegue congelar o tempo e quer a minha ajuda???? Para quê??
– Bem, como já deve ter notado, não pertenço ao seu planeta, mas ele está em perigo no século 28, e precisamos da sua inteligência superior para nos ajudar.
– Inteligência superior?? Mas eu sequer terminei a faculdade, porque acha que sou tão inteligente?
– Bem, você não sabe ainda, mas será o responsável por uma revolução neste planeta, quando conseguir sintetizar em cápsulas matéria e antimatéria, combustível este capaz de dar um salto de tecnologia na viagem espacial e assim contatar seres como nós.
-Nossa e como sabe tudo isto, aliás, que tipo de ser é você?
– Vocês nos chamam de Andrômedas, mesmo porque o nome de nossa raça, não tem uma palavra equivalente em sua língua.
– Tudo bem, mas pode me dizer como eu sintetizei esta matéria e antimatéria?
– Detalhes eu não sei, mas sei que você era muito impetuoso e gostava de velocidade e interessava-se muito por átomos, por conta disso e alguma sorte da raça humana, você foi descoberto por alguém da Nasa e o resto da história está nos livros do século 28, venha comigo.
– Eu não vou com você, tenho meus compromissos, meu emprego, enfim tenho uma vida, não posso largar tudo e acompanhar um doido que aparece detrás de uma cortina de luz.
– Bem, senhor Saulo, se o senhor quiser ficar, pode ficar, mas vai demorar um pouco para o efeito do raio do congelamento do tempo passar, eu diria que cerca de um dia, é um efeito colateral que o pessoal ainda está trabalhando, se quiser ficar neste mundo parado, enquanto a ação está em outro lugar, tudo bem, você é quem sabe.
– Humm, Um dia, em? Com o mundo parado? Acho que não tenho escolha, né?
– Sábia decisão, senhor Saulo, venha comigo.
Os dois entram num vórtex temporal e em segundos estão no século 28, a Terra é um lugar bem diferente, não há mais fome, não há mais guerras, pelo menos não em terra, naves e ônibus espaciais são construídos no espaço, veículos alados dos mais variados tipos, com hélices e turbinas com designs arrojados, sobrevoam as paisagens áridas do planeta:
– Então, como devo chamá-lo senhor Andrômeda?
– Pode me chamar de Hércules
– Que peculiar!!! Hércules, o que exatamente eu posso fazer por esta civilização avançada?
– Vamos até o Palácio Suspenso do Governo Terrestre, lá você conversará com o Presidente do Planeta.
Logo:
– Senhor Saulo, que prazer imenso em conhecê-lo, sei que devemos muito ao senhor e acho que deveremos ainda mais.
– Senhor Presidente.
– Ah sim, eu me chamo Halo de Vega, uma referência a uma excursão que meus pais fizeram quando do meu nascimento, mas isto não importa, temos um problema senhor Saulo.
– E qual seria este problema?
– Um buraco negro está sugando o nosso sol, olhe pela janela.
A imagem que se vê no céu é: um pequeno pedaço negro ao lado da grande estrela    amarela sugando-a para si.
– O que acha que devemos fazer?
– Parece uma bobagem, mas vou perguntar, vocês não poderiam sobreviver sem o sol, no meu tempo talvez fosse inviável, mas vocês têm tanto tecnologia neste século que…
– Pra simplificar senhor Saulo, não, não conseguiríamos viver sem o sol.
– E quanto tempo nós temos?
– Cerca de oito horas até o ciclo se completar.
– E o que acham que posso fazer?
– Segundo nossos livros históricos, senhor Saulo, o senhor só teve uma grande ideia na sua vida que é a cápsula de matéria e antimatéria, por isso nós o trouxemos antes que tivesse a ideia, assim você poderia ter uma ideia brilhante e depois o devolveríamos ao seu tempo sem memória para que você possa ter a ideia da cápsula novamente, não sei se fui claro.
– Entendi, se eu voltar com memória, talvez a minha capacidade criativa esteja reduzida, e vocês não terão tudo o que tem hoje. E se a gente pegasse este abridor de portais temporais que fez você me trazer aqui e levássemos este buraco negro para uma estrela distante.
– Bem, teríamos de nos assegurar que este sistema solar fosse desabitado, mas pode funcionar.
O Presidente Halo alerta:
– Mas isto nunca foi tentado antes, Hércules.
– Eu sei, mas presidente ele é o Saulo D’alva Silva, nós o trouxemos aqui para isto e não temos tanto tempo para discutir isto.
Saulo se manifesta:
– Há dois problemas: o primeiro é como chegar tão perto da estrela sem derreter e o outro como não ser sugado pelo buraco negro.
– Isto você pode deixar comigo.
– Hércules, um só erro de cálculo, e você virar churrasquinho ou ser sugado para sempre. – Diz o presidente.
– Não se preocupe eu vou conseguir, sei muito bem como lidar com cálculos e tempo, procure a estrela e me dê as coordenadas telepaticamente.
– Certo.
Depois, Hércules se encaminha para a estrela, seres como ele não precisam de naves espaciais:
– Está me ouvindo Hércules?
– Sim, prossiga Presidente.
–  Achamos a estrela, ela se chama Arcturus, ela fica a aproximadamente 36,7 anos-luz daqui, você a conhece?
– Conheço sim, senhor presidente, é um sistema solar muito bonito, mas por ser desabitado é a melhor escolha.
E com uma precisão britânica, como diriam os terráqueos, Hércules, leva o aparelho que transportará o buraco negro para Arcturus e em fração de segundos o joga dentro do buraco que que ao ser acionado imediatamente leva o buraco negro para Arcturus.
Depois, já no tempo de Saulo, com as pessoas ainda estáticas:
– É uma pena que não possamos mais nos ver Hércules, foi um imenso prazer conhecê-lo.
– O prazer foi meu, senhor Saulo, mas como sabe infelizmente terei que retirar a sua memória.
Segundos depois o buzinaço continua na avenida, Saulo dá um grito:
– Não sabe dirigir, por que saiu de casa?
Hugo de Souza Vieira
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